terça-feira, 11 de setembro de 2012

Marmelos são muito mais que marmelada...



O marmeleiro (Cydonia oblonga Mill.) tem uma longa história de cultivo no Oriente Médio, onde é nativo, e em toda a região do Mediterrâneo. Os gregos e romanos, sempre cultivaram o marmelo pelo seu fruto perfumado e atraentes flores cor-de-rosa. 

Hoje em dia, a Turquia é o produtor líder de marmelo no mundo. Já nos EUA existe muito pouca produção, contudo 20 mil toneladas por ano são produzidos na Argentina.

Na medicina tradicional, o marmelo tem sido utilizado para tratar a cistite, a tosse, a constipação, e como emoliente da pele. Também é recorrente a utilização de folhas e sementes de marmelo. A folha de marmelo possui propriedades anti-hemolíticas, anti-diabéticas e anti-lipoperoxidação, bem como propriedades hipolipemiantes. As preparações aquosas de frutos inteiros marmelo têm sido referidas como sendo eficazes para o tratamento de doenças alérgicas.

Recentes avanços na medicina e nutrição têm mostrado que existem notórios benefícios para saúde associados ao consumo de compostos antioxidantes, principalmente encontrados em vegetais de folha verde, bagas, vinho tinto e chá verde, contra doenças crónicas como arteriosclerose, diabetes mellitus, inflamações crónicas, desordens neurodegenerativas e certos cancros. Estes antioxidantes atuam contra os radicais livres presentes no organismo que causam danos em diversas moléculas, como lípidos, proteínas e ácidos nucleicos, que pensa-se estarem envolvidos na fase inicial do desenvolvimento destas doenças.


Antioxidantes, como os compostos fenólicos, ácido ascórbico e outros ácidos orgânicos, vitamina E e carotenóides detêm os radicais livres, inibindo os mecanismos oxidativos que originam as várias doenças já referidas.

Além das fontes de antioxidantes já referidas, diversos estudos têm apontado o marmeleiro pertencente a família da Roseaceae como uma óptima fonte de baixo custo e natural de ácidos fenólicos e flavonoides.

Um estudo mostrou que o extrato de polpa de marmelo possui um teor de compostos fenóis superior (66,95 mg/100 mg) à polpa da maçã (27,44 mg/100 g de peso fresco) e à de pêra (24,38 mg/100 g de peso fresco).

Apesar do ainda diminuto número de estudos que comprovam a sua eficácia, actualmente o marmelo é reconhecido como uma importante fonte alimentar de compostos com efeitos benéficos para a saúde devido as suas propriedades antioxidantes, antimicrobianas e anti-ulcerativas.

Além disso, o marmelo apresenta alto teor de água, alto teor de fibra bruta e baixo teor em lípidos. Sendo de salientar que o alto teor de fibras e de polissacarídeos solúveis, faz do marmelo uma óptima de fibras que são importantes compostos de proteção contra doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e cancro do cólon, etc.

Relacionando o marmelo (6 g de fibras por 100 g de fruta) com a laranja, a maçã e a pêra, o marmelo possui quase a mesma quantidade de fibra que as três frutas juntas podem fornecer por 100 g.

O marmelo é um fruto em forma de pêra e/ou maçã com uma pele que se caracteriza pela espessura e cor amarela brilhante. E apesar de não ser apreciado fresco devido à dureza da polpa, amargor e adstringência, apresenta um cheiro bastante agradável a flores e é muito procurado para processamento de marmelada, compotas, geleias e bolos.

Actualmente, o marmelo para além de ser bastante usado na produção industrial e caseira de marmelada, consome-se assado, estufado ou cozido, sendo utilizados como acompanhamento de carnes e recheios de tartes e doces.

Encontrei uma ideia para um "snack" bastante nutritiva com marmelos, nada mais nada menos que na Revista n.º 9 do Pingo Doce:

"Crumble de aveia e mel com Marmelos e uvas pretas"
           Porção para 10 pessoas
           143 kcal por dose
           2 g de proteína por dose
           25 g de glícidos por dose
           4 g de lípidos por dose
           4 g de fibra por dose


Ingredientes:
700 g de marmelos;
60 g de açúcar amarelo;
2 paus de canela;
1 saqueta de infusão lúcia-lima;
130 g de uvas pretas sem grainha;
3 colheres de sopa de azeite;
130 g de flocos de aveia;
70 g de mel.


Preparação:
  • Prepare os marmelos, retirando-lhe as cascas e caroços e cortando-os em pequenos cubos. Adicione-lhes o açúcar e leve ao lume num tacho com os paus de canela e o conteúdo da saqueta de infusão de lúcia-lima. Deixe cozinhar tapado sobre lume brando.
  • Lave os bagos de uva e corte-os ao meio. Quando os marmelos começarem a ficar tenros, adicione-lhes as uvas. Mexa e deixe ferver destapado.
  • Deite o azeite numa frigideira antiaderente larga, junte-lhes os flocos de aveia e leve ao lume, mexendo. 10 minutos ou até começar a alourar. Regue com o mel e deixe cozinhar sobre lume moderado, mexendo até os flocos de aveia se apresentarem levemente tostados.
  • Mude a mistura para um tabuleiro fundo, retire os paus de canela e calque um pouco a fruta. Por cima espalhe os flocos de aveia e pressione levemente.


Pode-se ainda encontrar mais receitas deliciosas em que o marmelo é dos ingredientes principais no blogue "Cinco Quartos de Laranja" na publicação " 20 receitas imperdíveis de marmelo" (http://cincoquartosdelaranja.blogspot.pt/2010/11/20-receitas-imperdiveis-de-marmelo.html).




Bibliografia:
Pacifico, S., Gallicchio, M., Fiorentino, A., Fischer, A., Meyer, U., Stintzing, F. C., 2012. Antioxidant properties and cytotoxic effects on human cancer cell lines of aqueous fermented and lipophilic quince (Cydonia oblonga Mill.) preparations. Food and Chemical Toxicology xxx.

Trigueros, L., Pérez-Alvarez, J.A., Viuda-Martos, M., Sendra, E., 2001. Production of low-fat yogurt with quince (Cydonia oblonga Mill.) scalding water. LWT - Food Science and Technology 44, 1388-1395.
Rossana M. Costa, R. M., Magalhães, A. S., Pereira, J. A., Andrade, P. B., Valentão, P., Carvalho, M., Silva, B. M., 2009. Evaluation of free radical-scavenging and antihemolytic activities of quince (Cydonia oblonga) leaf: A comparative study with green tea (Camellia sinensis). Food and Chemical Toxicology 47, 860–865.
Tabela da Composição de Alimentos - Centro de Segurança Alimentar e Nutrição, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Sem comentários:

Enviar um comentário