
O
marmeleiro (Cydonia oblonga Mill.) tem uma longa história de cultivo no
Oriente Médio, onde é nativo, e em toda a região do Mediterrâneo. Os gregos e
romanos, sempre cultivaram o marmelo pelo seu fruto perfumado e atraentes
flores cor-de-rosa.
Hoje em dia, a Turquia é o produtor líder de marmelo no
mundo. Já nos EUA existe muito pouca produção, contudo 20 mil toneladas por ano
são produzidos na Argentina.
Na medicina tradicional, o marmelo tem sido utilizado
para tratar a cistite, a tosse, a constipação, e como emoliente da pele. Também
é recorrente a utilização de folhas e sementes de marmelo. A folha de marmelo
possui propriedades anti-hemolíticas, anti-diabéticas e anti-lipoperoxidação,
bem como propriedades hipolipemiantes. As preparações aquosas de frutos
inteiros marmelo têm sido referidas como sendo eficazes para o tratamento de
doenças alérgicas.
Recentes avanços na medicina e nutrição têm mostrado que
existem notórios benefícios para saúde associados ao consumo de compostos antioxidantes,
principalmente encontrados em vegetais de folha verde, bagas, vinho tinto e chá
verde, contra doenças crónicas como arteriosclerose, diabetes mellitus,
inflamações crónicas, desordens neurodegenerativas e certos cancros. Estes antioxidantes
atuam contra os radicais livres presentes no organismo que causam danos em
diversas moléculas, como lípidos, proteínas e ácidos nucleicos, que pensa-se
estarem envolvidos na fase inicial do desenvolvimento destas doenças.
Antioxidantes, como os compostos fenólicos, ácido
ascórbico e outros ácidos orgânicos, vitamina E e carotenóides detêm os
radicais livres, inibindo os mecanismos oxidativos que originam as várias
doenças já referidas.
Além das fontes de antioxidantes já referidas, diversos
estudos têm apontado o
marmeleiro pertencente a família da Roseaceae
como uma óptima fonte de baixo custo e natural de ácidos fenólicos e flavonoides.
Um estudo
mostrou que o extrato de polpa de marmelo possui um teor de compostos fenóis
superior (66,95 mg/100 mg) à polpa da maçã (27,44 mg/100 g de peso fresco) e à
de pêra (24,38 mg/100 g de peso fresco).
Apesar do ainda
diminuto número de estudos que comprovam a sua eficácia, actualmente o marmelo
é reconhecido como uma importante fonte alimentar de compostos com efeitos
benéficos para a saúde devido as suas propriedades antioxidantes,
antimicrobianas e anti-ulcerativas.
Além disso,
o marmelo apresenta alto teor de água, alto teor de fibra bruta e baixo teor em
lípidos. Sendo de salientar que o alto teor de fibras e de polissacarídeos
solúveis, faz do marmelo uma óptima de fibras que são importantes compostos de
proteção contra doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e cancro do
cólon, etc.
Relacionando
o marmelo (6 g de fibras por 100 g de fruta) com a laranja, a maçã e
a pêra, o marmelo possui quase a mesma quantidade de fibra que as três
frutas juntas podem fornecer por 100 g.
O marmelo é um fruto em forma de pêra e/ou maçã com uma
pele que se caracteriza pela espessura e cor amarela brilhante. E apesar de não
ser apreciado fresco devido à dureza da polpa, amargor e adstringência,
apresenta um cheiro bastante agradável a flores e é muito procurado para
processamento de marmelada, compotas, geleias e bolos.
Actualmente,
o marmelo para além de ser bastante usado na produção industrial e caseira de
marmelada, consome-se assado, estufado ou cozido, sendo utilizados como
acompanhamento de carnes e recheios de tartes e doces.
Encontrei uma ideia para um "snack" bastante nutritiva com marmelos, nada mais nada menos que na Revista n.º 9 do Pingo Doce:
"Crumble de aveia e mel com Marmelos e uvas pretas"
Porção para 10 pessoas
143 kcal por dose
2 g de proteína por dose
25 g de glícidos por dose
4 g de lípidos por dose
4 g de fibra por dose
Ingredientes:
700 g de marmelos;
60 g de açúcar amarelo;
2 paus de canela;
1 saqueta de infusão lúcia-lima;
130 g de uvas pretas sem grainha;
3 colheres de sopa de azeite;
130 g de flocos de aveia;
70 g de mel.
Preparação:
2 paus de canela;
1 saqueta de infusão lúcia-lima;
130 g de uvas pretas sem grainha;
3 colheres de sopa de azeite;
130 g de flocos de aveia;
70 g de mel.
Preparação:
- Prepare os marmelos, retirando-lhe as cascas e caroços e cortando-os em pequenos cubos. Adicione-lhes o açúcar e leve ao lume num tacho com os paus de canela e o conteúdo da saqueta de infusão de lúcia-lima. Deixe cozinhar tapado sobre lume brando.
- Lave os bagos de uva e corte-os ao meio. Quando os marmelos começarem a ficar tenros, adicione-lhes as uvas. Mexa e deixe ferver destapado.
- Deite o azeite numa frigideira antiaderente larga, junte-lhes os flocos de aveia e leve ao lume, mexendo. 10 minutos ou até começar a alourar. Regue com o mel e deixe cozinhar sobre lume moderado, mexendo até os flocos de aveia se apresentarem levemente tostados.
- Mude a mistura para um tabuleiro fundo, retire os paus de canela e calque um pouco a fruta. Por cima espalhe os flocos de aveia e pressione levemente.
Pode-se ainda encontrar mais receitas deliciosas em que o marmelo é dos ingredientes principais no blogue "Cinco Quartos de Laranja" na publicação " 20 receitas imperdíveis de marmelo" (http://cincoquartosdelaranja.blogspot.pt/2010/11/20-receitas-imperdiveis-de-marmelo.html).
Bibliografia:
Pacifico, S., Gallicchio, M., Fiorentino, A., Fischer, A., Meyer, U., Stintzing, F. C., 2012. Antioxidant properties and cytotoxic effects on human cancer cell lines of aqueous fermented and lipophilic quince (Cydonia oblonga Mill.) preparations. Food and Chemical Toxicology xxx.
Trigueros, L., Pérez-Alvarez, J.A., Viuda-Martos, M., Sendra, E., 2001. Production of low-fat yogurt with quince (Cydonia oblonga Mill.) scalding water. LWT - Food Science and Technology 44, 1388-1395.
Rossana M. Costa, R. M., Magalhães, A. S., Pereira, J. A., Andrade, P. B., Valentão, P., Carvalho, M., Silva, B. M., 2009. Evaluation of free radical-scavenging and antihemolytic activities of quince (Cydonia oblonga) leaf: A comparative study with green tea (Camellia sinensis). Food and Chemical Toxicology 47, 860–865.
Tabela da Composição de Alimentos - Centro de Segurança Alimentar e Nutrição, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.
Bibliografia:
Pacifico, S., Gallicchio, M., Fiorentino, A., Fischer, A., Meyer, U., Stintzing, F. C., 2012. Antioxidant properties and cytotoxic effects on human cancer cell lines of aqueous fermented and lipophilic quince (Cydonia oblonga Mill.) preparations. Food and Chemical Toxicology xxx.
Trigueros, L., Pérez-Alvarez, J.A., Viuda-Martos, M., Sendra, E., 2001. Production of low-fat yogurt with quince (Cydonia oblonga Mill.) scalding water. LWT - Food Science and Technology 44, 1388-1395.
Rossana M. Costa, R. M., Magalhães, A. S., Pereira, J. A., Andrade, P. B., Valentão, P., Carvalho, M., Silva, B. M., 2009. Evaluation of free radical-scavenging and antihemolytic activities of quince (Cydonia oblonga) leaf: A comparative study with green tea (Camellia sinensis). Food and Chemical Toxicology 47, 860–865.
Tabela da Composição de Alimentos - Centro de Segurança Alimentar e Nutrição, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.



